
No dia 28 de janeiro, Bio-Manguinhos assinou três contratos de transferência de tecnologia com a empresa Chembio Diagnostics. Os contratos se referem à produção de três novos testes rápidos para diagnóstico: leptospirose; leishmaniose canina e imunoblot rápido para confirmação sorológica da infecção pelo HIV. De acordo com Antonio Ferreira, gerente do Programa de Reativos para Diagnósticos de Bio-Manguinhos, a previsão é de que o Instituto dobre a produção atual de testes rápidos fornecidos ao Ministério da Saúde - de um milhão/ano para cerca de dois milhões/ano.
A cerimônia para a assinatura dos contratos aconteceu no auditório de Bio-Manguinhos, no campus da Fiocruz. Estiveram presentes o diretor de Bio-Manguinhos, Akira Homma; o presidente em exercício da Fiocruz, Paulo Gadelha; o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Fiocruz, José da Rocha Carvalheiro; o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Carlos Grabois Gadelha; o vice-presidente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento da Chembio, Javan Esfandiari e o representante da Chembio Mercosul, Marco Collovati.
Os três novos produtos utilizam a plataforma tecnológica conhecida como DPP (Dual Path Platform), que permite um resultado com mais sensibilidade sem prejudicar o desempenho relacionado à especificidade. Bio-Manguinhos vai fornecer os produtos para o Ministério da Saúde (MS) que, atualmente, não possui testes rápidos de leishmaniose canina e leptospirose. Com estes dois novos produtos, o MS terá uma melhoria significativa nas ações de controle das duas enfermidades. A transferência de tecnologia do imunoblot rápido para confirmação sorológica da infecção pelo HIV vai reduzir os custos do Ministério.
"A tecnologia DPP é uma evolução tecnológica importante na área de teste rápido e se constituirá em uma importante plataforma tecnológica na área de reativos para diagnóstico de Bio-Manguinhos. Sem dúvida, a concepção do teste que permite o diagnóstico em poucos minutos, seja no campo ou ambulatórios, será um instrumento de enorme valor para a Saúde Pública. A Chembio tem sido uma parceria importante nesta área e esperamos solidificar ainda mais a aliança tecnológica para desenvolvimento e oferta de novos produtos indispensáveis para a Saúde Pública", explica o diretor de Bio-Manguinhos, dr. Akira Homma.
"No caso do diagnóstico do HIV, a instrução do Ministério da Saúde indica a utilização de dois testes rápidos para identificar a doença. Normalmente, são usados o teste ELISA ou outros testes convencionais. Quando há divergência de resultados, é necessário fazer uma confirmação do diagnóstico e o imunoblot será usado para esta confirmação. O produto é uma patente recente da Chembio, depositada em 2006, e trará uma economia de, pelo menos, quatro vezes em relação aos produtos similares utilizados hoje nos serviços de saúde do país", afirma Antonio Ferreira.
O processo de transferência de tecnologia terá duração de dois anos. A partir da assinatura do contrato, a produção do imunoblot rápido será iniciada e começarão os estudos multicêntricos para os outros dois produtos. A perspectiva é de que os três produtos comecem a ser oferecidos à rede pública ainda no segundo semestre de 2008. Prevê-se que sejam produzidos, anualmente, entre 500 e 750 mil testes de leishmaniose canina; entre 70 e 100 mil de leptospirose e entre 10 e 30 mil testes de imunoblot rápido. Bio-Manguinhos irá utilizar as instalações já existentes, construídas a partir de investimentos do Ministério da Saúde. Os três acordos de transferência de tecnologia prevêem etapas que incluem o envio de documentação técnica, treinamentos, visitas das equipes de trabalho de Bio-Manguinhos à Chembio e das equipes da empresa ao Instituto.
Tecnologia DPP (Dual Path Platform) - É uma tecnologia inovadora de imunoensaio cromatográfico para testes de diagnóstico rápido - com resultados em até 20 minutos - que pode ser aplicada a uma grande variedade de doenças. Esta tecnologia oferece algumas vantagens sobre os ensaios convencionais de Lateral Flow (LF), como: um nível de sensibilidade de 10 a 50 vezes maior; uso de volumes mínimos de amostra e adaptação a diferentes tipos de fluidos corporais como sangue, soro, plasma, saliva, urina, etc. A tecnologia DPP também tem um procedimento mais fácil para o usuário e ainda permitirá o desenvolvimento de multi-testes, uma vez que é possível incluir até cinco alvos de teste na mesma reação.