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Fundação Oswaldo Cruz
 

Aspectos epidemiológicos

Maria Eugenia Noviski Gallo*

Em hanseníase, a taxa de prevalência considera apenas os casos em tratamento. Em dezembro de 2005, o Ministério da Saúde registrou 27.313 destes casos no Brasil, o que dá um coeficiente de prevalência de 1,48 caso por 10 mil habitantes. Já o coeficiente de detecção indica o número de casos novos registrados no decorrer do ano. Ainda em 2005, esse indicador demonstrou que foram diagnosticados 38.140 novos casos, o que dá um coeficiente de detecção de 2,09 para 10 mil habitantes. A maior concentração de casos está nas regiões Norte e Centro-Oeste. O Maranhão foi o estado que mais notificou (4.721), seguido de Pará (4.687) e Mato Grosso (3.187).

 

TDR/OMS

Fotomicrografia de Mycobacterium leprae (pequenos
bastonetes vermelhos), o agente causador da hanseníase

 

Para se combater a doença, é prioritário que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível, antes da instalação das incapacidades físicas e da eliminação de bacilos, o que possibilita a cura do paciente sem seqüelas físicas e interrompe a cadeia epidemiológica da infecção. Para tanto, o Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Eliminação da Hanseníase (PNEH). Trata-se de um conjunto de ações descentralizadas sob a responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e do Departamento de Vigilância Epidemiológica em parceria com Centros de Referencia Nacional (como o Laboratório de Hanseníase da Fiocruz), secretarias estaduais e municipais de Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), OMS, Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Movimento de Reintegração do Paciente Hanseniano (Morhan) e diversas organizações não-governamentais.

Atualmente, a mesma Secretaria de Vigilância em Saúde lançou o Plano Nacional de Eliminação da Hanseníase em Nível Municipal 2006-2010. O plano pretende fortalecer as ações de vigilância epidemiológica da hanseníase para alcançar baixos níveis endêmicos da doença até 2010, assegurando que as atividades de controle da hanseníase estejam disponíveis e accessíveis a todos os indivíduos nos serviços de saúde mais próximos de suas residências.

As estratégias de eliminação baseadas na conscientização da comunidade, detecção precoce dos casos e acesso ao tratamento a todos os pacientes provou ser eficaz. Merece atenção a transformação da imagem negativa da hanseníase, que é extremamente importante e deve ser uma atividade contínua.

Por fim, a pedra angular na eliminação e no controle da doença como problema de saúde pública continua sendo o aumento da oferta de serviços de saúde prestados por profissionais da rede básica, integrando as atividades de detecção precoce dos casos, tratamento poliquimioterápico (associação de dois ou três  quimioterápicos), prevenção de incapacidades e vigilância de comunicantes em todos os municípios que possuam pelo menos 1 caso de hanseníase nos últimos cinco anos.

*chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz.

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