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Fundação Oswaldo Cruz
Quinta-feira, 2 de setembro de 2010
 

Hepatite

Pablo Ferreira

A palavra hepatite é originada do grego hepatitis, em que hepato significa fígado e itis inflamação. Dito de outra forma, hepatite designa qualquer degeneração do fígado por causas diversas, sendo as mais freqüentes as infecções pelos vírus tipo A, B e C e o abuso do consumo de álcool ou outras substâncias tóxicas (como alguns remédios). "Tanto o álcool quanto os vírus destroem as células hepáticas", afirma Lia Lewis, médica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz. Normalmente, mesmo após essa destruição, o fígado consegue se regenerar, mas quando o processo é intenso deixa cicatrizes irreversíveis, conhecidas como cirrose. Enquanto os vírus atacam o fígado quando parasitam suas células para a sua reprodução, a cirrose dos alcoólatras é causada pela ingestão freqüente de bebidas alcoólicas - uma vez no organismo, o etanol é metabolizado e transformado em ácidos nocivos às células hepáticas.

A mais conhecida e comum das hepatites é a do tipo A. Transmitida por água e alimentos contaminados ou de uma pessoa para outra, a doença fica incubada entre dez e 50 dias. "Esta infecção normalmente não causa sintomas, porém quando presentes, os mais comuns são febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômitos, mal-estar, desconforto abdominal, falta de apetite, urina com cor de coca-cola e fezes esbranquiçadas", explica Lia. A detecção se faz por exame de sangue e não há tratamento específico, esperando-se o paciente reagir sozinho contra a doença - a letalidade não ultrapassa 0,1%. "Existe vacina contra o vírus da hepatite A (HAV), mas a melhor maneira de evitá-la se dá pelo saneamento básico, tratamento adequado da água, alimentos bem cozidos e pelo ato de lavar sempre as mãos antes das refeições", aconselha a médica do IOC.

Os vírus da hepatite tipo B (HBV) e C (HCV) são transmitidos sobretudo por meio do sangue. Usuários de drogas injetáveis e pacientes submetidos a material cirúrgico contaminado e não-descartável estão entre as maiores vítimas, daí o cuidado que se deve ter nas transfusões sangüíneas, no dentista, em sessões de depilação ou tatuagem. Com letalidade em torno de 1%, o vírus da hepatite B pode ser passado pelo contato sexual, reforçando a necessidade do uso de camisinha. "A transmissão sexual do vírus da hepatite C pode ocorrer, mas é rara", completa Lia.

Freqüentemente, os sinais das hepatites B e C podem não aparecer e grande parte dos infectados só acaba descobrindo que tem a doença após anos e muitas vezes por acaso em testes para esses vírus. Quando aparecem, os sintomas são muito similares ao da hepatite A, mas ao contrário desta, a B e a C podem evoluir para um quadro crônico e então para uma cirrose ou até câncer de fígado, "isso vai depender muito do perfil de cada paciente: se ele faz uso de álcool, as chances aumentam, quanto mais jovem se contrair a hepatite B, mais chances se tem de se evoluir para a forma crônica - na hepatite C, a situação é inversa", concluia Lia.

29/08/2006 às 15:52 Glossário de doenças



 
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