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Uma pneumonia atípica tem afetado
a população do Amazonas. Já foram
registrados em Manaus mais de 50 casos da doença.
Ela surgiu há cerca de três anos, mas ainda
não se sabe qual é sua origem nem o microrganismo
causador. Tudo leva a crer, portanto, que se trata de
uma doença emergente. "Doenças emergentes
são aquelas que não tinham significado
no passado e em determinado momento surgem como novas,
pois são causadas por agentes etiológicos
desconhecidos. Foi o caso da Aids:
o vírus HIV era diferente de tudo o que já
se tinha visto", explica o médico Luciano
Medeiros de Toledo, diretor do Centro de Pesquisas Leônidas
e Maria Deane (CPqLMD), unidade da Fiocruz em Manaus.
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Universidade
da Califórnia
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Família Retroviridae,
à qual pertence o HIV, vírus causador
da
Aids, uma das principais doenças emergentes contemporâneas
"Definir doenças emergentes
não é tarefa das mais fáceis. Trata-se
de um conceito amplo e dinâmico", afirma
o médico Eduardo Costa, assessor da Presidência
da Fiocruz e ex-secretário de Saúde do
Estado do Rio de Janeiro. Em linhas gerais, pode-se
dizer que são moléstias transmissíveis
causadas por bactérias ou vírus nunca
antes descritos ou por novas formas infectantes geradas
a partir de mutações em um microrganismo
já conhecido. É possível ainda
que sejam causadas por um agente que já parasitava
animais e depois começou a infectar também
o homem.
Além disso, uma enfermidade
pode ser considerada emergente quando passa a ter novas
distribuições, como uma moléstia
que só atingia as crianças e começa
a acometer também os idosos ou uma doença,
antes restrita a um único país, que se
espalha por todo o mundo. "Uma doença emergente
clássica é a gripe espanhola. Até
hoje não se chegou a um consenso sobre sua origem.
Tudo o que se sabe é que, em um intervalo de
mais ou menos três anos, ela fez um número
enorme de vítimas em várias partes do
mundo. E depois desapareceu", exemplifica Costa.
A gripe espanhola sumiu. Mas existem
moléstias que aparecem, são controladas
e, passado um tempo, voltam a ameaçar a população.
Estas são as doenças reemergentes - aquelas
que são conhecidas de longa data e, de repente,
têm sua incidência aumentada por causa de
uma série de fatores, como urbanização
desordenada, degradação do meio ambiente
e desigualdade social, entre outros. "Um exemplo
é a malária nas regiões Norte e
Nordeste. Ela se tornou um problema na época
do ciclo da borracha, ficou sob controle por um período
e depois ressurgiu de forma intensa nos anos 70",
lembra Toledo.
Dengue, febre amarela e hepatite C
estão no grupo das moléstias emergentes
e reemergentes, ao qual também pertencem doenças
que só mais recentemente passaram a freqüentar
as manchetes dos jornais. É o caso de uma gripe
que surgiu em patos e galinhas nos últimos dois
anos e que, no início de 2004, matou mais de
20 pessoas na Ásia. O supervírus responsável
pelo problema surgiu no sul da China e ainda se mantém
longe do Brasil. No entanto, infelizmente, nosso país
assiste à emergência e à reemergência
de outras doenças relativamente desconhecidas.
E, nos últimos meses, algumas dessas enfermidades
- como a raiva transmitida por morcegos hematófagos,
a hantavirose e a febre maculosa - espalharam medo entre
a população de certas cidades brasileiras.
No final de maio, a hantavirose deixou
três mortos na cidade de São Sebastião,
no Distrito Federal, e, no início de junho, mais
dois óbitos por causa dessa doença foram
registrados em Goiás, nos municípios de
Cristalina e Pirenópolis. Pouco depois, três
pessoas da mesma família faleceram em Mauá,
na Grande São Paulo, após contraírem
o microrganismo causador da febre maculosa.
Além disso, em março
deste ano, 15 pessoas morreram no município de
Portel, na Ilha de Marajó, no Pará, vítimas
do vírus da raiva transmitido por morcegos que
se alimentam de sangue. "A raiva em Portel se caracteriza
como uma doença reemergente que se manifesta
sob a forma de um surto epidêmico - a doença
não está sendo transmitida através
da mordida de cães. Possivelmente, as graves
modificações ambientais que vêm
ocorrendo nesse município expliquem o aumento
dos ataques de morcegos à população
humana", comenta Toledo.
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