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‘Memórias’: confira a edição de junho

Publicação destaca estudos sobre a influência da vegetação nativa para a transmissão da leishmaniose cutânea no Paraná, biomarcadores do vírus Zika e investigação do desenvolvimento da cardiomiopatia chagásica crônica

A edição de junho da revista ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ está disponível para acesso gratuito online. O periódico reúne dez artigos sobre temas de importância para a saúde pública. Entre os destaques está um estudo da influência da vegetação nativa remanescente sobre a prevalência da Leishmaniose Tegumentar Americana (ou leishmaniose cutânea) no Paraná. A doença causada por protozoários do gênero Leishmania é transmitida por insetos conhecidos popularmente, dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, tatuquira ou birigui. As análises foram realizadas com base no coeficiente de detecção de casos de leishmaniose cutânea em função da porcentagem de vegetação natural, altitude, número total de casos e densidade espacial por quilômetro quadrado. O estudo considerou informações fornecidas pela Fundação SOS Mata Atlântica, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os resultados apontam que, devido à associação significativa entre áreas de vegetação e a ecologia de vetores e reservatórios de leishmaniose cutânea, essas áreas têm uma influência significativa na prevalência da doença. A concentração de casos é comumente relatada em áreas com vegetação nativa, como as matas ciliares. O estudo indica, ainda, outros fatores que influenciam a incidência de leishmaniose cutânea, como temperatura, precipitação e população flutuante.

A edição apresenta também um estudo que busca compreender o amplo espectro de quadros clínicos decorrentes da infecção pelo vírus Zika do ponto de vista dos biomarcadores imunológicos relacionados à infecção aguda. Os pesquisadores caracterizaram os níveis de citocina circulantes, quimiocinas e fatores de crescimento em pacientes infectados, de ambos os sexos, em diferentes momentos após o início dos sintomas. Os testes mostraram que os pacientes apresentaram resposta inflamatória sistêmica marcante, com altos níveis de mediadores pró-inflamatórios. Embora a resposta inflamatória leve ao clareamento viral, os altos níveis de biomarcadores pró-inflamatórios podem facilitar a transmissão do vírus da circulação para o sistema nervoso central, aumentando a permeabilidade da barreira hematoencefálica, que protege o cérebro. Segundo o estudo, o fenômeno pode explicar, em parte, a capacidade neuroinvasiva do vírus Zika, associado a casos de Síndrome de Guillain-Barré, em adultos, e Síndrome Congênita do Vírus Zika, que inclui a microcefalia e outras alterações neurológicas, em crianças.

A publicação traz, ainda, uma pesquisa que avaliou a suscetibilidade ou progressão da cardiomiopatia chagásica crônica (CCC), desfecho clínico mais frequente da doença de Chagas, associada a 13 genes relacionados a citocinas. Os dados sugerem que não há contribuição significativa das variantes gênicas analisadas para o desenvolvimento do quadro clínico. No entanto, a ausência de um forte biomarcador genético pode indicar que as consequências da resposta imune, incluindo o controle do parasito e o perfil inflamatório, para pacientes com doença de Chagas não são geneticamente predeterminadas. Os resultados do estudo reforçam a importância da interação parasito-hospedeiro para o desenvolvimento do agravo.

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Reportagem: Lucas Rocha
11/06/2018
Permitida a reprodução sem fins lucrativos do texto desde que citada a fonte (Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz)

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