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Uma Breve AnáliseNo ano 2006, foram registrados 112.760 casos de intoxicação humana por 31 dos 37 Centros de Informação e Assistência Toxicológica em atividade no país (Tabela 1), o que representa uma participação de 83,8%. Em 2005 tivemos a participação de 30 dos 34 centros que existiam, o que representou 88,2% de participação. É importante salientar que tais variações podem interferir no comportamento dos dados e nas análises realizadas. Se em 2005 não contamos com a participação do Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI/SP) e do Centro de Assistência Toxicológica de São Paulo (CEATOX/SP), dois dos maiores Centros em número de notificações e que, tradicionalmente, apresentam juntos cerca de 10.000 casos de intoxicação por medicamentos, em 2005, por problemas operacionais, ficaram impossibilitados de participar da estatística anual. Só no ano de 2006 esses dois centros somam 27.661 casos de intoxicação humana, sendo 11.754 por medicamentos. A Região Sudeste, com o maior número de Centros (16), registrou 50% dos casos de intoxicação humana, enquanto a Região Sul, com 6 Centros, registrou 26,9%. A seguir temos a Região Nordeste com 13,8%, a Centro-Oeste com 7,7% e a Norte com 1,6% (Tabela 1). O Centro de Informações Toxicológicas do Rio Grande do Sul (CIT/RS), como vem ocorrendo ao longo dos anos, apresentou a maior participação percentual, 17,4% do total de casos de intoxicação humana registrados no país (Tabela 1). O registro de intoxicação animal foi realizado por 17 dos 31 Centros que participaram da estatística referente ao ano 2006. Do total de 2.415 casos de intoxicação animal, 1.185 (49,1%) são provenientes da Região Sudeste, sendo 776 (32,1%) registrados pelo Centro de Assistência Toxicológica de São Paulo (CEATOX/SP) e 1.045 (43,3%) casos são provenientes da região Sul, sendo 915 (37,9%) registrados pelo Centro de Informações Toxicológicas do Rio Grande do Sul (CIT/RS) (Tabela 1). Quanto às solicitações de informação, foram registradas no país 14.381, sendo as Regiões Sudeste e Sul responsáveis por 49,3% e 43,2% desse total, respectivamente. Chama a atenção o fato do Centro de Controle de Envenenamentos de Curitiba apresentar 2,2 vezes mais solicitações de informação do que casos, dado que para os demais Centros esse comportamento é exatamente o oposto, ou seja, mais casos do que solicitações de informação (Tabela 1). No ano 2006, foram registrados 511 óbitos, o que gerou uma letalidade de 0,45% para o país como um todo. A Região Nordeste registrou o maior número de óbitos, 183 (35,8%) e a maior letalidade, que foi de 1,2%. A menor letalidade foi registrada pela Região Sudeste, 0,22% (Tabela 2). As quatro maiores letalidades para o país como um todo foram geradas por agrotóxicos de uso agrícola, raticidas, drogas de abuso e produtos veterinários com valores de 2,95%, 1,28%, 0,94% e 0,59%, respectivamente (Tabela 3). As principais demandas de solicitação de informação, no ano 2006, estão relacionadas com medicamentos (29,7%) e com animais peçonhentos (17,6%) (Tabela 4). Os agentes tóxicos que mais causaram intoxicações em animais foram os raticidas (18,1%), agrotóxicos uso doméstico (16,1%) e produtos veterinários (12,7%) (Tabela 4). Em 2006 os principais agentes tóxicos que causaram intoxicações em seres humanos em nosso país foram os medicamentos (30,7%), os animais peçonhentos (20,1%) e os domissanitários (11%) (Tabela 5). Dentre os 22.632 envenenamentos por animais peçonhentos, os escorpiões contribuíram com 6.923 (30,6%), as serpentes com 5.209 (23%), as aranhas com 4.543 (20,1%) e os demais animais peçonhentos com 5.957 (26,3%) (Tabela 5). Este perfil é próximo ao apresentado pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) referente aos acidentes por animais peçonhentos registrados para o ano de 2006, em que do total de 100.120 casos registrados por aquele sistema, 38.815 foram causados por escorpiões (38,8%), 29.348 por serpentes (29,3%), 19.207 por aranhas (19,2%), 9.995 por outros animais peçonhentos/venenosos (10%) e 2.755 por animais peçonhentos/venenosos ignorados (2,8%) (Dados disponíveis em http://dtr2004.saude.gov.br/sinanweb/index.php?name=Tnet, acessado em 21/07/2008). É importante salientar que o SINAN só apresentou maior percentual de casos causados por escorpiões em detrimento a serpentes a partir do ano de 2004. A principal circunstância é o acidente (classificado a partir de 1999 em individual, coletivo e ambiental), responsável por 53,9% do total de casos registrados, seguido da tentativa de suicídio com 21,6% e da ocupacional com 6%, comportamento que vem se mantendo desde 1985. Para os medicamentos, agrotóxicos de uso agrícola, raticidas e drogas de abuso a tentativa de suicídio apresenta a maior participação percentual, ficando a frente do acidente (Tabela 6). Dos 60.744 casos de intoxicação acidental, 19.087 casos (31,4%) referem-se aos animais peçonhentos, 10.751 (17,7%) aos medicamentos, 10.009 (16,5%) aos domissanitários, 4.588 (7,6%) aos produtos químicos industriais e 4.244 (7%) aos animais não peçonhentos, totalizando estes cinco agentes tóxicos 80,2% das intoxicações acidentais registradas no país (Tabela 6). Do total de 24.325 casos de intoxicação atribuídos às tentativas de suicídio, 15.053 casos (61,9%) estão relacionados aos medicamentos, 2.792 (11,5%) aos raticidas e 2.686 aos agrotóxicos de uso agrícola (11%), mostrando que 84,4% do total das tentativas de suicídio são causados por estes três agentes tóxicos (Tabela 6). Dos 6.755 casos de intoxicação atribuídos à circunstância ocupacional, 2.350 (34,8%) foram causados por animais peçonhentos, 1.926 (28,5%) por agrotóxicos de uso agrícola e 930 (13,8%) por produtos químicos industriais, mostrando que 77,1% das intoxicações ocupacionais são causadas por estes três agentes tóxicos (Tabela 6). Quanto às faixas etárias mais acometidas, destacam-se as crianças menores de 5 anos com 24,2% do total de casos, os adultos de 20 a 29 anos com 18,8%, os de 30 a 39 anos com 13,6%, os de 40 a 49 anos com 10,1% e os jovens de 15 a 19 anos com 8,5% (Tabela 7). Quanto aos principais agentes tóxicos que causam intoxicações em crianças menores de 5 anos, destacam-se os medicamentos (36,1%), os domissanitários (21,6%) e os produtos químicos industriais (9%). Para os adultos de 20 a 29 anos, destacam-se os medicamentos (32,3%), os animais peçonhentos (19,5%) e os agrotóxicos de uso agrícola (7,6%). Para adultos de 30 a 39 anos destacam-se os medicamentos (29,8%), os animais peçonhentos (23%) e os agrotóxicos de uso agrícola (8%). Para os adultos de 40 a 49 anos destacam-se os animais peçonhentos (28,1%), os medicamentos (25,1%) e os agrotóxicos de uso agrícola (8,8%). Para os jovens de 15 a 19 anos destacam-se os medicamentos (34,9%), os animais peçonhentos (20,3%), as drogas de abuso (6,5%) e os domissanitários (6,5%)(Tabela 7). Os casos de intoxicação por medicamentos, agrotóxicos de uso doméstico, raticidas, domissanitários, cosméticos, alimentos, envenenamento por escorpiões e agente tóxico desconhecido foram mais freqüentes no sexo feminino (Tabela 8). Apenas os casos de envenenamento por serpentes ocorreram com maior freqüência na zona rural (Tabela 9). O percentual de casos com evolução ignorada para o país como um todo (22,7%) e para cada uma das regiões aumentou bastante em relação ao registrado no ano de 2005. Entretanto, verificam-se diferenças marcantes entre as regiões. A Região Nordeste contabilizou 7,5% dos casos com evolução ignorada (Tabela 8 – Nordeste), seguida pelas regiões, Centro-Oeste com 7,7% (Tabela 9 – Centro-Oeste), Sul com 10,1% (Tabela 8 – Sul), Norte com 10,5% (Tabela 8 – Norte) e Sudeste com 36,3% (Tabela 9 – Sudeste). Dentre os casos com evolução ignorada, destacam-se os ocorridos com medicamentos (8.974), domissanitários (5.611) e os produtos químicos industriais (2.048) (Tabela 10). Dos 511 óbitos registrados, os principais agentes tóxicos envolvidos foram os agrotóxicos de uso agrícola (36,4%), os medicamentos (20,7%), os raticidas (11,7%), as drogas de abuso (8,2%) e os animais peçonhentos (5,5%), sendo que também tivemos um aumento no caso dos agentes desconhecidos (5,7%), respondendo juntos por 88,2% do total de óbitos registrados no país (Tabela 11). O suicídio respondeu por 62,8% dos óbitos, seguido do acidente com 12,3%, somando juntas, estas duas circunstâncias, 75,1% dos óbitos (Tabela 11). A faixa etária produtiva de 20 a 59, com 349 óbitos, respondeu por 68,3% do total dos óbitos. Crianças menores de 5 anos e jovens de 15 a 19 anos com 31 óbitos cada, contribuíram com 12,1% do total de óbitos. A estes três grupos etários foram atribuídos 411 óbitos, ou seja, 80,4% do total dos óbitos registrados no ano de 2006 (Tabela 12). Para o sexo masculino destacam-se os agrotóxicos de uso agrícola com 124 óbitos, os raticidas com 38 óbitos e os medicamentos com 39 óbitos. Para o sexo feminino destacam-se os medicamentos com 67 óbitos, os agrotóxicos de uso agrícola com 61 óbitos e os raticidas com 22 óbitos (Tabela 13). O conjunto de 75 tabelas, apresentadas em nível nacional e por região, permitirá ao leitor realizar estudos mais específicos e comparativos das intoxicações e envenenamentos que acometem a população brasileira. |