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Alcoolismo no trabalho
Magda Vaissman
Editora
Fiocruz
220p. R$ 30,00
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A ingestão excessiva de álcool
é a terceira causa de mortes no mundo, atrás
somente do câncer e das doenças cardíacas.
Por isso o alcoolismo é hoje considerado um grave problema
de saúde pública. No livro Alcoolismo no
trabalho, publicado pela Editora Fiocruz, Magda Vaissman
faz um mosaico dos trabalhos publicados sobre o alcoolismo
pelos maiores especialistas mundiais no tema. A autora enumera
os problemas que a doença pode acarretar no ambiente
de trabalho e analisa os métodos assistenciais empregados
no seu tratamento.
No Brasil, o alcoolismo é o terceiro
motivo para faltas e a causa mais freqüente de acidentes
no trabalho. Segundo a Associação dos Estudos
do Álcool e Outras Drogas, de 3 a 10% da população
brasileira fazem uso abusivo do álcool. A doença
é a oitava causa de concessões de auxílio-doença
e os problemas direta ou indiretamente relacionados ao uso
da substância consomem de 0,5% a 4,2% do PIB.
Segundo Magda, diversos fatores podem contribuir
para a tendência ao abuso crônico do álcool
e de outras drogas. Fatores genéticos, biológicos,
psicológicos e socioculturais interagem, em maior ou
em menor grau, para a origem da dependência química.
Os sintomas que compõem o alcoolismo se agravam e se
intensificam ao longo da vida do doente, que a autora prefere
chamar de "alcoolista" (portador da doença
do alcoolismo) ao invés de alcoólatra (adorador
do álcool).
A autora diz que o alcoolista inicia sua
carreira como bebedor social na idade jovem. Perto dos 30
anos, evolui para a condição de bebedor pesado
ou bebedor-problema, quando apresenta conseqüências
físicas ligadas ao álcool (pancreatites e cirroses
hepáticas). É também nessa fase que surgem
problemas conjugais, sociais, legais, financeiros e de relacionamento.
Usuários de álcool nesta fase também
são mais propensos a acidentes de trânsito, problemas
psicológicos (violência, homicídios, suicídios)
e ocupacionais (afastamento, faltas ao trabalho, atrasos,
problemas de relacionamento, indisciplina, queda de produtividade,
acidentes de trabalho). Na segunda metade da terceira década
de vida ou a partir da quarta década, tem-se instalada
a síndrome de dependência alcoólica.
O alcoolismo é mais comumente encontrado
em algumas ocupações, sobretudo naquelas socialmente
desprestigiadas, quando as possibilidades ascensão
profissional são restritas. Fatores de risco profissional
em relação ao alcoolismo são a disponibilidade
do álcool enquanto se trabalha, pressão social
para beber, ausência de supervisão ou chefia,
situações de tensão ou perigo. Condições
de trabalho que produzem estresse podem induzir ao alcoolismo,
como forma de aliviar a ansiedade. Profissões de alto
risco de abuso de álcool são essencialmente
associadas ao sexo masculino, e as de baixo risco ao sexo
feminino, segundo pesquisa da universidade americana John
Hopkins que analisou associações entre álcool
e 101 ocupações. Mas o maior fator de risco
para o alcoolismo é o desemprego.
Segundo a autora, algumas características
identificam trabalhadores com problemas de alcoolismo: faltas
freqüentes, especialmente em dias que antecedem ou sucedem
fins de semana e feriados, atrasos após o almoço
ou o intervalo, queda na produtividade, desperdício
de materiais, dificuldade de entender novas instruções
ou de reconhecer erros, reação exagerada às
críticas, variação constante do estado
emocional.
Para Magda, as empresas podem ser um local
privilegiado para a implantação e desenvolvimento
de programas assistenciais e programas de prevenção
do alcoolismo. O livro traz um panorama dos programas de combate
ao alcoolismo nos EUA, Grã-Bretanha, Austrália
e Brasil. Segundo ela, o programa da Organização
Mundial de Saúde (OMS) para a prevenção
do alcoolismo é dirigido principalmente à população
sadia, enquanto nos EUA predomina o modelo de detecção,
tratamento e reabilitação das pessoas doentes.
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