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Em busca da boa morte: antropologia dos cuidados paliativos
Rachel Aisengart Menezes
Editora
Fiocruz e
Editora Garamond
228p. R$ 28,00
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A ingestão excessiva de álcool é
a terceira causa de mortes no mundo, atrás somente do câncer
e das doenças cardíacas. Por isso o alcoolismo é
hoje considerado um grave problema de saúde pública.
No livro Alcoolismo no trabalho, publicado pela Editora Fiocruz,
Magda Vaissman faz um mosaico dos trabalhos publicados sobre o alcoolismo
pelos maiores especialistas mundiais no tema. A autora enumera os
problemas que a doença pode acarretar no ambiente de trabalho
e analisa os métodos assistenciais empregados no seu tAo
longo de sua carreira, a médica psiquiatra Rachel Aisengart
Menezes presenciou diversas situações em que pacientes
diagnosticados com morte próxima e fora de possibilidade
terapêutica (FPT) faleceram com "os corpos invadidos
por tubos" sem a presença de familiares. A indagação
sobre o que fazer com esses indivíduos e como proporcionar
um final de vida mais humano para essas pessoas a pôs em contato
com uma nova proposta de assistência aos doentes terminais,
os cuidados paliativos. Investigações sobre as origens
dessa abordagem, que tem como objetivo minorar o sofrimento do paciente
e conduzi-lo a uma "boa morte", e as experiências
observadas no hospital pioneiro em cuidados paliativos do Brasil
foram registradas no livro Em busca da boa morte: antropologia
dos cuidados paliativos, lançado pelas editoras Fiocruz
e Garamond.
De acordo com a obra, a primeira instituição
destinada especificamente a proporcionar conforto e amparo aos moribundos
foi o St. Christopher Hospice, fundado em Londres pela assistente
social, enfermeira e médica Cicely Saunders em 1967. Em pouco
tempo, o local se tornou um modelo de assistência, ensino
e pesquisa no cuidado de pacientes FPT e de suas famílias.
Surgiram espaços semelhantes nos Estados Unidos nos anos
70, na França em 1986 e na Argentina em 1982.
No Brasil, um importante passo para o estabelecimento
da disciplina científica dos cuidados paliativos foi a publicação
do Manual de Cuidados Paliativos pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), em 1991. A primeira unidade pública
paliativa implantada no Brasil foi criada no Instituto Nacional
do Câncer (Inca) no Rio de Janeiro. Em 1998, surgiu um hospital
destinado exclusivamente para esses pacientes, o Centro de Suporte
Terapêutico Oncológico, atualmente conhecido como Hospital
do Câncer 4.
A autora acompanhou a rotina do local em diferentes
períodos entre os anos de 2001 e 2003. O edifício
de 11 andares é composto por ambulatório, farmácia
e enfermarias amplas, arejadas e claras. Ali funciona um programa
de humanização cujo objetivo é tornar as instalações
mais aconchegantes e personalizadas. A rotina do hospital já
é um fator de bem-estar para os pacientes. Todos os profissionais
sorriem ao cumprimentar os passantes, andam pelos corredores calmamente
e falam em um tom de voz tranqüilo.
Os pacientes são visitados por médicos,
enfermeiros e assistentes sociais que tentam proporcionar uma melhor
qualidade de vida para o enfermo. Eles conversam com os doentes
e seus familiares e providenciam medidas para o alívio dos
sintomas, principalmente da dor. A família, que também
é envolvida no processo, sofre menos ao observar e vivenciar
esses cuidados. Rachel entrevistou alguns profissionais paliativistas
para construir uma identidade comum. Entre os atributos selecionados,
ela destaca ser paciente, atencioso, ter compaixão, bom senso,
empatia, tranqüilidade, docilidade e sensibilidade. Para ela,
esses atributos ajudam a proporcionar uma morte mais humana para
os doentes terminais.
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